Por Débora Almada
Messias Matheus
Abrir o seu próprio negócio é o sonho de
muitos brasileiros. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), mostram que no Brasil são criados anualmente mais de 1,2 milhão de
novos empreendimentos formais, sendo que mais de 99% são micro e pequenas
empresas e empreendedores individuais. Em Juiz de Fora não é diferente; a cada
dia surgem novos negócios em diversos setores. De acordo com o analista do
Sebrae-MG, Paulo César Barroso Veríssimo, o perfil do investidor juiz-forano é
bem diversificado. Ele afirma que esse público, a maioria composto por jovens e
mulheres, já traz consigo noções de como se deve investir. “São empreendedores
com visão de mercado, e com bons conhecimentos. Eles buscam informações para
abertura de negócios, sobretudo focando nas oportunidades de mercado e não mais
por necessidade”, ressalta.
Para
o economista Nelson Bispo Evangelista, presidente da União Brasileira para a
Qualidade Regional Campo das Vertentes e Zona da Mata (UBQ), Juiz de Fora é uma
boa cidade para se investir. Ele aponta diversos fatores que favorecem o
surgimento de novos empreendimentos como, por exemplo, a infra-estrutura, a
proximidade com os grandes centros, o sistema educacional tradicional e
moderno, que gera mão de obra qualificada, além da atuação de entidades de
fomento e apoio a negócios, capacitação e inovação como o Sebrae, CRITT/UFJF,
Fecomércio e o Sindicomércio-JF, entre outros.
Apesar
de a cidade oferecer uma estrutura favorável para a iniciação de novas
propostas, Nelson Bispo acredita que os jovens empresários devem estar atentos
para os desafios a serem enfrentados. “Eles precisam conhecer o negócio que
estão pretendendo iniciar, para isso é necessário elaborar um plano de
negócios”. Paulo César Barroso Veríssimo também compactua com a mesma ideia.
“Não só em Juiz de Fora, como em qualquer cidade, é sempre importante fazer um
planejamento minucioso para estabelecer um negócio, com pesquisas e busca de
informação”, diz.
Superando os obstáculos
Superando os obstáculos
| O casal de empreendedores Hugo e Maria de Lourdes comemoram o novo negócio |
Os
empresários Hugo Monteiro Freitas, 31, e Maria de Lourdes Sousa Castro Freitas,
30, conhecem muito bem o passo-a-passo para criar e sustentar um negócio. O
casal inaugurou há um mês, o seu segundo empreendimento, o Hulu Restaurante
& Espaço Gourmet. Mas, os investimentos começaram em 2008, quando eles
chegaram a Juiz de Fora, vindos de Brasília – DF. Para se sustentar, o casal
vendeu bombons durante dois anos, em uma banca montada no Calçadão da Rua
Halfeld. Em 2010, abriram o primeiro restaurante. “O nosso primeiro negócio
surgiu da necessidade que tínhamos de ter uma vida mais tranquila. Fizemos um
levantamento e um planejamento por nossa conta e investimos o nosso próprio
recurso” relembra Hugo Monteiro. Para inaugurar o segundo restaurante, ele contou
com o financiamento de uma empresa particular.
Os
dois primeiros anos de vida são um grande desafio para os investidores. Estudo
do Sebrae, afirma que para cada 10 novos negócios, três fecham as portas neste
período. O economista Nelson Bispo, considera os impostos um dos fatores que
mais pesam no orçamento, porém ele explica como funciona o mecanismo tributário
no país. “O governo federal acompanha a economia em todo o mundo e adota
medidas de redução da carga tributária na produção industrial e no comércio em
socorro aos setores mais afetados. Recentemente, houve a desoneração tributária
de alguns setores que são significativos em termos de renda, emprego de mão de
obra e no efeito multiplicador em toda a economia”. Para o empresário Hugo
Monteiro o governo deveria isentar os novos empreendedores do pagamento de
alguns tributos. “No início, a empresa não gera renda suficiente para quitar as
despesas como a compra de material e pagamento de funcionários, por exemplo. Além
disso, tem que pagar os impostos. Deveria haver mais incentivos nesta parte”,
finaliza.
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