terça-feira, 29 de maio de 2012

As vésperas de completar 25 anos, CCBM luta para manter a tradição cultural da cidade


Espaço disputado por artistas enfrenta o desafio de ser referência regional e de atrair público

Por: Débora Almada
       Messias Matheus


No início dos anos 1980, uma campanha mobilizou artistas, jornalistas e intelectuais em Juiz de Fora. A iniciativa intitulada Mascarenhas, meu amor pretendia transformar a antiga fábrica de tecelagem Bernardo Mascarenhas, já desativada, em um espaço cultural. O ato surtiu efeito positivo. No dia 31 de maio de 1987, foi inaugurado o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

Tombado como Patrimônio Cultural de Juiz de Fora, desde 1983, o CCBM é um dos prédios que compõem o conjunto arquitetônico da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas que abriga também a Biblioteca Murilo Mendes, o Mercado Municipal e o Centro de Formação do Professor.

O ator e diretor Gueminho Bernardes, era um dos entusiastas na luta pela revitalização e utilização do espaço para fins cultural. Para ele, a ação só deu certo devido à organização e engajamento de seus idealizadores. “Fazíamos reuniões em vários lugares e articulávamos ações de divulgação do movimento. O apoio da imprensa foi fundamental”, ressalta.

Vinte e cinco anos depois, o espaço localizado no centro da cidade, ainda é um dos principais redutos artísticos de Juiz de Fora, abrigando três galerias de arte, videoteca, sala de encenação, ateliês e espaço alternativo. Atualmente, são ministradas oficinas de teatro, gravura, flauta e percussão. Os cursos são anuais e as inscrições começam no início do ano. Os participantes contribuem com um valor simbólico que é investido na manutenção do espaço.

De acordo com Guy Schmidt, diretor do CCBM, a ocupação das galerias de arte é realizada por edital de licitação que acontece semestralmente. “Recebemos diversos tipos de trabalhos de artistas locais e também de outras regiões do Brasil. Iniciantes e aqueles que já possuem algum tempo de estrada disputam o mesmo espaço, não tendo tratamento diferenciado entre eles”, diz.

O fotógrafo Fernando Priamo é um dos artistas da cidade que tiveram projetos aprovados no primeiro semestre de 2012. A mostra de fotografias com o tema “Itália” ficou em cartaz no mês de abril, no CCBM. Esta é quinta vez que Priamo expôs seus trabalhos no local. “Além desta mostra, já realizei duas exposições individuais e duas coletivas. Escolhi o CCBM por ser um local de fácil acesso ao público-alvo da minha exposição, que são as crianças da rede pública e particular de ensino”, explica. 

OS DESAFIOS
Mesmo com visibilidade e fácil acesso, o Centro Cultural ainda enfrenta dificuldades em atrair público. Segundo Schmidt, o número de frequentadores oscila de acordo com vários fatores. “Há uma procura maior de acordo com a atratividade da exposição ou do evento. É isso que realmente traz o público, independente de quem está organizando. A receptividade da exposição é o que faz as coisas acontecerem, o empenho do organizador também. Isso tudo conta para que haja um fluxo maior de pessoas”.

Para Gueminho Bernardes o problema é cultural e abrange outros segmentos. “Estamos atravessando uma fase de depressão na produção cultural na cidade. É um assunto complexo e grave. O lugar (CCBM) era pra ser uma fábrica de cultura. Mas não se faz cultura sem dinheiro. Acho que superestimamos também a base cultural da cidade”, afirma.

Outro desafio é a questão de preservação e modernização do espaço. Em 2011, o CCBM passou por reformas estruturais, que incluiu a instalação de um elevador. Porém, segundo Guy Schmidt, ainda são necessárias novas intervenções no local. “Precisamos fazer uma reforma estrutural externa e também renovar material técnico de iluminação e som”, enfatiza. 

Palco do Corredor
O CCBM recebeu algumas atrações do Corredor Cultural 2012, entre elas a mostra “Centenários”. A proposta que funcionou somente durante o Corredor, fez uma homenagem aos 100 anos de nascimento de três ícones da cultura brasileira: o cantor e compositor Luiz Gonzaga, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues e o escritor Jorge Amado, além do centenário de fundação do Tupi Football Clube, de Juiz de Fora. A mostra reuniu objetos, fotografias, troféus, camisas, e cenários específicos. Confira algumas fotos da Exposição.
  

Centenário Tupi
Troféus do Tupi
Fotos, recortes de jornais, bandeiras e vídeo contam a história do galo carijó
Mostra reproduz cenário característico das traas de Nelson Rodrigues
Vários vestidos de noiva flutuam no ar fazendo alusão ao clássico "Vestido de Noiva", de Nelson rodrigues


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