Espaço
disputado por artistas enfrenta o desafio de ser referência regional e de
atrair público
Por: Débora Almada
Messias Matheus
No
início dos anos 1980, uma campanha mobilizou artistas, jornalistas e
intelectuais em Juiz de Fora. A iniciativa intitulada Mascarenhas, meu amor pretendia transformar a antiga fábrica de
tecelagem Bernardo Mascarenhas, já desativada, em um espaço cultural. O ato
surtiu efeito positivo. No dia 31 de maio de 1987, foi inaugurado o Centro
Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).
Tombado
como Patrimônio Cultural de Juiz de Fora, desde 1983, o CCBM é um dos prédios
que compõem o conjunto arquitetônico da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas
que abriga também a Biblioteca Murilo Mendes, o Mercado Municipal e o Centro de
Formação do Professor.
O
ator e diretor Gueminho Bernardes, era um dos entusiastas na luta pela
revitalização e utilização do espaço para fins cultural. Para ele, a ação só
deu certo devido à organização e engajamento de seus idealizadores. “Fazíamos
reuniões em vários lugares e articulávamos ações de divulgação do movimento. O
apoio da imprensa foi fundamental”, ressalta.
Vinte
e cinco anos depois, o espaço localizado no centro da cidade, ainda é um dos
principais redutos artísticos de Juiz de Fora, abrigando três galerias de arte,
videoteca, sala de encenação, ateliês e espaço alternativo. Atualmente, são
ministradas oficinas de teatro, gravura, flauta e percussão. Os cursos são anuais
e as inscrições começam no início do ano. Os participantes contribuem com um
valor simbólico que é investido na manutenção do espaço.
De
acordo com Guy Schmidt, diretor do CCBM, a ocupação das galerias de arte é
realizada por edital de licitação que acontece semestralmente. “Recebemos
diversos tipos de trabalhos de artistas locais e também de outras regiões do
Brasil. Iniciantes e aqueles que já possuem algum tempo de estrada disputam o
mesmo espaço, não tendo tratamento diferenciado entre eles”, diz.
O fotógrafo
Fernando Priamo é um dos artistas da cidade que tiveram projetos aprovados no
primeiro semestre de 2012. A mostra de fotografias com o tema “Itália” ficou em
cartaz no mês de abril, no CCBM. Esta é quinta vez que Priamo expôs seus
trabalhos no local. “Além desta mostra, já realizei duas exposições individuais
e duas coletivas. Escolhi o CCBM por ser um local de fácil acesso ao
público-alvo da minha exposição, que são as crianças da rede pública e
particular de ensino”, explica.
OS DESAFIOS
OS DESAFIOS
Mesmo
com visibilidade e fácil acesso, o Centro Cultural ainda enfrenta dificuldades
em atrair público. Segundo Schmidt, o número de frequentadores oscila de acordo
com vários fatores. “Há uma procura maior de acordo com a atratividade da
exposição ou do evento. É isso que realmente traz o público, independente de
quem está organizando. A receptividade da exposição é o que faz as coisas
acontecerem, o empenho do organizador também. Isso tudo conta para que haja um
fluxo maior de pessoas”.
Para
Gueminho Bernardes o problema é cultural e abrange outros segmentos. “Estamos
atravessando uma fase de depressão na produção cultural na cidade. É um assunto
complexo e grave. O lugar (CCBM) era pra ser uma fábrica de cultura. Mas não se
faz cultura sem dinheiro. Acho que superestimamos também a base cultural da
cidade”, afirma.
Outro
desafio é a questão de preservação e modernização do espaço. Em 2011, o CCBM
passou por reformas estruturais, que incluiu a instalação de um elevador.
Porém, segundo Guy Schmidt, ainda são necessárias novas intervenções no local.
“Precisamos fazer uma reforma estrutural externa e também renovar material técnico
de iluminação e som”, enfatiza.
Palco do Corredor
O CCBM recebeu algumas atrações do Corredor Cultural 2012, entre elas a mostra “Centenários”. A proposta que funcionou somente durante o Corredor, fez uma homenagem aos 100 anos de nascimento de três ícones da cultura brasileira: o cantor e compositor Luiz Gonzaga, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues e o escritor Jorge Amado, além do centenário de fundação do Tupi Football Clube, de Juiz de Fora. A mostra reuniu objetos, fotografias, troféus, camisas, e cenários específicos. Confira algumas fotos da Exposição.
Palco do Corredor
O CCBM recebeu algumas atrações do Corredor Cultural 2012, entre elas a mostra “Centenários”. A proposta que funcionou somente durante o Corredor, fez uma homenagem aos 100 anos de nascimento de três ícones da cultura brasileira: o cantor e compositor Luiz Gonzaga, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues e o escritor Jorge Amado, além do centenário de fundação do Tupi Football Clube, de Juiz de Fora. A mostra reuniu objetos, fotografias, troféus, camisas, e cenários específicos. Confira algumas fotos da Exposição.
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| Centenário Tupi |
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| Troféus do Tupi |
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| Fotos, recortes de jornais, bandeiras e vídeo contam a história do galo carijó |
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| Mostra reproduz cenário característico das traas de Nelson Rodrigues |
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| Vários vestidos de noiva flutuam no ar fazendo alusão ao clássico "Vestido de Noiva", de Nelson rodrigues |





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