Por Messias Matheus
Há muito tempo, não paro para assistir programas de auditório na TV aberta. A maioria deles são previsíveis e formatados em um mesmo modelo. Geralmente os assuntos são apelativos, os convidados não têm nada de importante a acrescentar e os apresentadores – bem isso nem se fala; é um caso a parte. A Globo, considerada padrão de inovação em seus programas, também não fica para trás.
Se durante a semana os programas de auditório, já são ruins, é no domingo que o caos se instala por completo na telinha brasileira. Gugu, Faustão, Eliana e Sílvio Santos disputam a audiência e a paciência, dos telespectadores que não têm outra opção a não ser assistir televisão na tarde de domingo.
Ruim, tudo muito ruim, apelação geral, falta de criatividade e apresentadores malas (não citarei nomes, pois corro o risco de ser processado, e como ainda não tenho emprego, não terei grana para pagar indenizações milionárias), mas você que está lendo este texto agora, pode tirar suas próprias conclusões.
Outro dia, porém, depois de ler o caderno de TV do jornal O Globo, resolvi deitar no sofá e assistir TV na tarde a domingo. O jornal (O Globo) anunciava a estreia do programa de férias da Regina Casé. Esquenta! O nome era estranho e no mínimo inusitado, mas pelas características da apresentadora, achei que deveria ser algo diferente. Resolvi pagar para ver, e me surpreendi.
Esquenta!, é um misto de sons, ritmos, cores e estilos – uma verdadeira Torre de Babel! O cenário multicolorido, os convidados cada um mais exótico que o outro, a mistura de estilos e alto astral da apresentadora, contagiam a plateia e os telespectadores. O figurino da Regina Casé é um espetáculo à parte. As estampas de zebra e onça, os acessórios enormes e a extravagância do visual Brega&Chique, típicos da Diva da Periferia são figurinhas carimbadas e merecem os aplausos dos fashionistas de plantão.
A mistura foi acertada. A desenvoltura de Regina em comandar a muvuca organizada, faz ressaltar o seu talento, carisma e profissionalismo. A aproximação e o conhecimento que a apresentadora tem do seu público contribui para o sucesso do projeto.
Em minha opinião, Esquenta! é o melhor programa de auditório desde o término do “Cassino do Chacrinha”,em 1988 (que era apresentado aos sábados). O caricato Abelardo Barbosa com suas sensuais chacretes agitou os sábados até quase o final da década de 1980. Desde que Chacrinha partiu para o andar de cima, os programas de auditório perderam seu principal papel: divertir com inteligência.
Esquenta! Como diz sua vinheta de abertura: Vem que vem, que vem, com tudo! Espero que o programa continue crescendo e mantendo a qualidade das atrações. Afinal, o telespectador merece.

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