Carolina Gavioli
Maria Barra Costa
Messias Matheus
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| Arquivo Pessoal |
O falecimento de Robson Terra causou comoção, principalmente, nas classes artística e acadêmica de Juiz de Fora, ambientes nos quais Robson atuava há várias décadas. O ator e diretor Guilherme Bernardes, Gueminho, lembra-se da primeira peça de teatro que assistiu do Grupo Divulgação, “A Morta”, de Oswald de Andrade. “Ele atuava na peça. Eu estava com uns 15, 16 anos e me marcou muito. Tinha uma cena em que o Robson descia do palco e sentava no colo das pessoas da plateia. Aquilo era muito constrangedor, mal sabia eu que faria aquilo no futuro. O Robson Terra foi um dos grandes batalhadores do teatro em Juiz de Fora.”
As homenagens póstumas começaram a ser feitas pelo Facebook, no grupo Sites para Jornalistas, criado e moderado por ele, logo que foi divulgada a notícia. O jornalista Geraldo Muanis acredita que o país perdeu muito em termos de criatividade e capacidade de indignação. “Ninguém é insubstituível? Tenho minhas ressalvas. Existem pessoas que marcam nossas vidas para sempre, e Robson é uma destas pessoas, que deixou uma marca indelével em nossos corações. Percebo nos posts de seus alunos como se sentem órfãos, assim como ex-alunos, que já se manifestaram perdidos com a ausência de seu mestre.”
Por meio de nota, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) lamentou a morte do ator, que, além de ex-aluno da Faculdade de Comunicação da instituição, atuava como professor do Curso de Especialização em Comunicação e Arte do Ator, do Fórum da Cultura. “Fica para todos nós a lembrança de um profissional comprometido com arte, comunicação e educação,” diz a nota.
A Universidade Salgado de Oliveira (Universo) também se manifestou por meio de nota. De acordo com a Universo, Robson Terra foi um dos primeiros professores contratados pela instituição na cidade. Ele lecionou diversas disciplinas nos cursos da faculdade.
Histórico
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| Robson interpreta Lamartine Babo, espetáculo assistido por milhares de pessoas (Arquivo pessoal) |
Apesar da graduação em jornalismo, sua grande paixão sempre foi o teatro. Trabalhou muito na fase do Teatro de Bar: “Ele fazia um espetáculo que se chamava ‘Dona Margarida’, era um professora em uma sala de aula. Acredito que foi um dos grandes momentos da carreira dele, talvez o maior”, avalia Gueminho. Na década de 1990, Robson descobre uma maneira diferente de levar arte aonde o povo está por meio do projeto “O Teatro vai à Escola”, em que encena peças em várias escolas da cidade.
Em Juiz de Fora, Robson atuava como professor da Universo, nos cursos de Produção Audiovisual, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Pedagogia, Enfermagem e Estética. Ele ainda fazia parte do corpo docente do Curso de Especialização em Comunicação e Arte do Ator da UFJF. Lecionava também na Faculdade Governador Ozanan Coelho (Fagoc), no município vizinho de Ubá. Para o radialista ubaense Oliveira Netto, a morte do “homem das 40 profissões” representa uma grande perda para a região. “Ele nunca foi um professor comum. Aliás, sempre foi diferenciado e usava muito o termo ‘desconstruir’ como forma de ensinar e explicar cada situação. Mostrava que um curso era muito mais que livros e teorias fundamentais. Ele dividia experiências de vida e tinha um jeito único de ensinar.”


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