quarta-feira, 11 de abril de 2012

O adeus ao múltiplo Robson Terra

Carolina Gavioli
Maria Barra Costa
Messias Matheus

Arquivo Pessoal
Foi sepultado, na manhã desta quarta-feira, 11, no Cemitério Municipal de Chácara, o corpo do ator, jornalista, professor e diretor teatral Robson Terra. Ele morreu na manhã anterior aos 57 anos de idade, vítima de infarto. O corpo foi velado na Capela Mortuária de Chácara, sua cidade natal. Centenas de pessoas prestaram a última homenagem ao ator durante o sepultamento, ocorrido às 10h.
O falecimento de Robson Terra causou comoção, principalmente, nas classes artística e acadêmica de Juiz de Fora, ambientes nos quais Robson atuava há várias décadas. O ator e diretor Guilherme Bernardes, Gueminho, lembra-se da primeira peça de teatro que assistiu do Grupo Divulgação, “A Morta”, de Oswald de Andrade. “Ele atuava na peça. Eu estava com uns 15, 16 anos e me marcou muito. Tinha uma cena em que o Robson descia do palco e sentava no colo das pessoas da plateia. Aquilo era muito constrangedor, mal sabia eu que faria aquilo no futuro. O Robson Terra foi um dos grandes batalhadores do teatro em Juiz de Fora.”
As homenagens póstumas começaram a ser feitas pelo Facebook, no grupo Sites para Jornalistas, criado e moderado por ele, logo que foi divulgada a notícia. O jornalista Geraldo Muanis acredita que o país perdeu muito em termos de criatividade e capacidade de indignação. “Ninguém é insubstituível? Tenho minhas ressalvas. Existem pessoas que marcam nossas vidas para sempre, e Robson é uma destas pessoas, que deixou uma marca indelével em nossos corações. Percebo nos posts de seus alunos como se sentem órfãos, assim como ex-alunos, que já se manifestaram perdidos com a ausência de seu mestre.”
Por meio de nota, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) lamentou a morte do ator, que, além de ex-aluno da Faculdade de Comunicação da instituição, atuava como professor do Curso de Especialização em Comunicação e Arte do Ator, do Fórum da Cultura. “Fica para todos nós a lembrança de um profissional comprometido com arte, comunicação e educação,” diz a nota.
A Universidade Salgado de Oliveira (Universo) também se manifestou por meio de nota. De acordo com a Universo, Robson Terra foi um dos primeiros professores contratados pela instituição na cidade. Ele lecionou diversas disciplinas nos cursos da faculdade.

Histórico
Robson interpreta Lamartine Babo, espetáculo assistido por milhares de pessoas (Arquivo pessoal)
Robson Terra formou-se em Comunicação pela UFJF, em 1978. No ano de 1993, concluiu a pós-graduação em marketing, pela Faculdade Machado Sobrinho. Mais tarde, tornou-se mestre em comunicação e tecnologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac).
Apesar da graduação em jornalismo, sua grande paixão sempre foi o teatro. Trabalhou muito na fase do Teatro de Bar: “Ele fazia um espetáculo que se chamava ‘Dona Margarida’, era um professora em uma sala de aula. Acredito que foi um dos grandes momentos da carreira dele, talvez o maior”, avalia Gueminho. Na década de 1990, Robson descobre uma maneira diferente de levar arte aonde o povo está por meio do projeto “O Teatro vai à Escola”, em que encena peças em várias escolas da cidade.
Em Juiz de Fora, Robson atuava como professor da Universo, nos cursos de Produção Audiovisual, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Pedagogia, Enfermagem e Estética. Ele ainda fazia parte do corpo docente do Curso de Especialização em Comunicação e Arte do Ator da UFJF. Lecionava também na Faculdade Governador Ozanan Coelho (Fagoc), no município vizinho de Ubá. Para o radialista ubaense Oliveira Netto, a morte do “homem das 40 profissões” representa uma grande perda para a região. “Ele nunca foi um professor comum. Aliás, sempre foi diferenciado e usava muito o termo ‘desconstruir’ como forma de ensinar e explicar cada situação. Mostrava que um curso era muito mais que livros e teorias fundamentais. Ele dividia experiências de vida e tinha um jeito único de ensinar.”

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