Por: Débora Almada
Messias Matheus
O som alto dentro dos ônibus de Juiz de
Fora está com os dias contados. Foi aprovado na Câmara Municipal, nesta
sexta-feira (27), o projeto de lei nº 205, apresentado pelo vereador José Sóter
de Figueirôa (PMDB) e assinado pelos vereadores José Emanuel (PSC) e José
Mansueto Fiorilo (PDT), que pretende proibir a audição de músicas através de aparelhos
sonoros no modo alto-falante, no interior dos ônibus. A matéria
aguarda a sanção do prefeito Custódio Mattos (PSDB).
Messias Matheus
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| Vereador Figuerôa cria proposta após inúmeras reclamações |
De acordo com Figueirôa, o principal
objetivo dessa lei é educar o cidadão perante a questão dos direitos humanos.
“O projeto tem um caráter eminentemente pedagógico e educativo. Associado a
lei, tem que ser desenvolvido campanhas educativas para mostrar que o uso de
aparelho sonoro dentro de um ônibus sem a utilização do fone incomoda as
pessoas.”, afirma o vereador. A lei prevê o pagamento de uma multa de R$ 250
reais para os infratores, podendo o valor se dobrado de acordo com o caso. Mas
para o vereador, isso não é o mais importante. “Não queremos que isso aconteça
de fato. O que queremos é que as pessoas respeitem o direito de outras pessoas
dentro do transporte coletivo urbano”.
Juntamente
com o assessor político José Brito, Figueirôa recebeu várias reclamações de
passageiros em seu gabinete e ele garante que não é só o Funk que incomoda o
público. “Recebi denuncias de pessoas que colocavam músicas religiosas em
caixinhas de som ligadas no celular. São músicas de diversas origens, que
terminam incomodando.” O surgimento dessa lei, que já está em vigor em cidades
como Porto Alegre, Belém e São Sebastião no litoral paulista, se deve a uma
iniciativa do vereador em combate a poluição sonora na cidade. “Essa lei já
funciona em ônibus inter-estaduais, nas viagens rodoviárias isso é proibido.
Temos que colocar isso também na região urbana, porque é um problema sério que
piora cada vez mais.”, afirmou o assessor José Brito, que é usuário de ônibus e
se diz muito incomodado com o barulho. “A questão maior é que o ônibus é um
espaço público e por ser um espaço público tem que haver um respeito entre as
pessoas.”
População aprova a
medida
Apesar de ainda não ter sido
sancionada, usuários e profissionais do transporte público são favoráveis à
aprovação da lei. “Essa lei deve ser aprovada e fiscalizada com vigor”, afirma
o açougueiro Luiz Sérgio, 33 anos que utiliza a condução diariamente e presencia
situações que, segundo ele, são constrangedoras. “Às vezes estou com minha
família e nós temos que ouvir músicas com palavras ofensivas ou de baixo calão.
Além de ser uma poluição sonora, isto é uma falta de respeito”.
Para a pedagoga Juliana Santos, 30,
esse comportamento reflete a falta de noção sobre coletividade. “Isso é o
reflexo da falta de educação com o espaço público. E não é apenas um
determinado ritmo ou estilo musical que incomoda, todos devem ser proibidos”,
ressalta Juliana, referindo-se a necessidade de não rotular como negativo
determinados gêneros musicais como, por exemplo, o funk e o gospel.
A estudante Lorrana Moreira, 16, também
se sente incomodada com o som alto dentro dos coletivos. “A música alta
atrapalha a minha concentração principalmente pela manhã quando vou à aula. Por
ser muito cedo, isso traz um transtorno muito grande; já chego estressada no
colégio.”
Pontos polêmicos
De acordo com a proposta, as empresas
de ônibus deverão sinalizar, em seus veículos, a proibição do uso dos aparelhos
sem os fones de ouvido. Porém, a fiscalização ficará a cargo dos cobradores e
motoristas. Apesar de concordarem com a medida, os profissionais questionam a
funcionalidade e a fiscalização da lei. Para o motorista Maurício Rippel, 48, a
questão envolve ainda a vulnerabilidade dos trabalhadores diante das possíveis
reações dos transgressores. “Não adianta cobrar ou pedir para desligarem os
aparelhos, eles (passageiros que ouvem som sem o fone) não respeitam ninguém”,
explica Rippel que há 26 anos trabalha no setor, sendo dois anos nos coletivos
de Juiz de Fora.
O
cobrador Antônio Marcos, 39, afirma que o som alto incomoda não só os
profissionais, como também aos usuários. “O gosto é particular; às vezes os
passageiros reclamam do tipo de música que algumas pessoas escutam em alto
volume. Eu não posso fazer nada, esta lei vai mudar a situação. Porém, vai ser
muito difícil fiscalizar, pois não podemos pressionar os passageiros. Aliás,
não recebemos para isso, e ainda podemos correr risco de vida”.
De acordo com o cobrador José Milton,
45, profissionais e usuários dos coletivos enfrentam problemas maiores do que
os causados pelo som alto, como por exemplo, as brigas e os assaltos. Apesar de
concordar com a provação da lei, José Milton que há 21 anos exerce a mesma
função, conclui “apesar de ser uma boa iniciativa não teremos condições de
fiscalizar; a situação foge ao nosso controle.”

A medida é boa mas não acho que vá funcionar sem uma fiscalização, não podem delegar esta função aos motoristas e cobradores, também deveria ter uma fiscalização em relação aos direitos dos idosos, grávidas e deficientes nos Ônibus pois não são respeitados.
ResponderExcluirRealmente, Rachel, na minha opinião, será difícial a fiscalização e o cumprimento da lei. Porém, como cidadão, considero positiva a iniciativa e,concordo com vc em relação a fiscalização e garantia dos direitos dos idosos, grávidas e deficientes ao assento preferencial. Obrigado pela interação, e continue acompanhando o meu blog. Grato. Messias Matheus.
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